sexta-feira, 27 de novembro de 2015

São Gregório Nazianzeno


São Gregório Nazianzeno: Teólogo ilustre, orador e defensor da fé cristã


1.     VIDA

     São Gregório nasceu de família nobre, em Arianzo, Capadócia, em 330. Sua mãe, Nona, era uma mulher piedosa, que consagrou-o a Deus quando o concebeu. Ela também obteve a conversão de seu marido, igualmente chamado Gregório, o qual alguns anos mais tarde, em 325,  foi sagrado Bispo de Nazianzo. São Gregório estudou primeiramente na escola de Retórica de Cesárea da Capadócia; depois foi para a escola cristã de Cesárea na Palestina. Logo em seguida à Alexandria e finalmente para Atenas.[1] Teve por companheiros de estudos a São Basílio e Juliano, o apóstata.
Depois de brilhantes estudos literários, recebeu o batismo, por volta de 358, e tomou a decisão de viver a “filosofia” monástica. Entretanto, não estava inteiramente decidido, como havia prometido, a deixar a família para reunir-se a São Basílio. No entanto, passou alguns breves períodos com este, na solidão do ermo, durante os quais ambos se aplicaram ao aprofundamento teológico, estudando os escritos de Orígenes.[2]
     No Natal de 361 foi ordenado sacerdote por seu próprio pai. Em 372, São Basílio o obrigou, por necessidades de sua política religiosa, a aceitar o episcopado na estação postal de Sásima, mas acabou não indo para esta cidade. Depois da morte de seu pai, em 374, dirigiu por pouco tempo a igreja de Nazianzo, mas logo se retira a Selêucia de Isáuria, onde ficou um tempo muito breve, pois um grupo de cristãos de Constantinopla dirigiu-se a ele pedindo que fosse àquela cidade, a fim de ajudar a reorganizar a igreja oprimida por uma série de Imperadores filo-arianos, mas esperançosa de melhores dias por causa da morte do Imperador Valente. São Gregório aceitou, passando dois anos em Constantinopla, desenvolvendo ação muito benéfica para os católicos. Ao chegar à cidade, encontrou todas as igrejas e prédios locais em mãos dos arianos, conseguindo residência apenas pelo fato de ter um parente na região. Conseguiu uma igreja que dedicou-a a Santa Anastácia. Seus sermões atraíam público sempre mais numeroso e em consequência abundantes conversões.[3]

     Em 380, no dia 24 de Dezembro, Teodósio foi aclamado Imperador. Este apoiou os católicos e devolveu-lhes os bens que estavam em posse dos arianos. Em maio de 381 o I Concílio Geral de Constantinopla reconheceu São Gregório como Bispo da capital. Aconteceu, porém, que os Bispos do Egito e da Macedônia impugnaram tal designação. E São Gregório foi obrigado a retornar à Nazianzo, onde por mais ou menos dois anos se dedicou à cura pastoral daquela comunidade cristã. Finalmente retirou-se para Arianzo a fim de se dedicar aos estudos e levar uma vida ascética. Em 390, Deus acolheu em seus braços este servo fiel, o qual, com inteligência perspicaz, O tinha defendido nos escritos e cantado em suas poesias.[4]


2.     OBRAS

     “Fui criado para me elevar até Deus com as minhas ações!”.[5] Assim concluía São Gregório Nazianzeno, sua reflexão sobre a missão que Deus lhe tinha confiado. De fato, ele colocou ao serviço de Deus e da Igreja o seu talento de escritor e de orador. Compôs numerosos discursos, vários panegíricos e homilias, muitas cartas e obras poéticas (quase 18.000 versos!): uma atividade verdadeiramente prodigiosa.[6]



2.1.  Os Discursos

As melhores composições dele são os 45 Discursos que se conservaram até hoje. A maior parte foi nos anos 379-381, o período mais importante de sua vida, quando as atenções universais se voltavam para ele, por ser bispo de Constantinopla. Eis o elenco dos mesmos:            a) Os cinco discursos teológicos, pronunciados em Constantinopla no verão e outono de 380. Por causa destes discursos ele recebeu o titulo de “o Teólogo”. Defendia neles os dogmas da Igreja contra os eunomianos e macedonianos. Apesar de sua intenção ser especificamente a de proteger a fé nicena das más interpretações, representam o resultado maduro de um estudo prolongado e intensivo da doutrina trinitária. Além de refutar com argumentos novos o arianismo, no quinto discurso defende claramente a divindade do Espírito Santo contra os macedonianos.[7]
b) Sobre o ordem e a instituição dos bispos e Sobre a moderação e propósito nas controvérsias. Denuncia a paixão dos constantinopolitanos pelas controvérsias e argumentos dogmáticos. Novamente, oferece uma explicação detalhada sobre a doutrina trinitária.
c) Discurso Apologéticos. Consta das invectivas contra Juliano, o Apóstata, a quem São Gregório havia conhecido pessoalmente em Atenas. Foram compostos depois da morte do imperador.
d) Discursos Panegíricos e Hagiográficos são sermões quotidianos.
e) Os discursos de ocasião. Entre eles o mais importante de todos é o Apologeticus de fuga, onde descreve o caráter e as responsabilidades do ofício sacerdotal.


3.     ASPECTOS TEOLÓGICOS

Sua teologia se encontra explicita ou implicitamente em seus discursos, poemas e cartas, e não em comentários às Escrituras ou em algum tratado teológico. Contudo, “São Gregório representa, na teologia, um progresso claro a respeito de São Basílio, não só em terminologia e formas dogmáticas, que são melhores, senão, também, a realização da teologia como ciência e um conhecimento mais profundo de seus problemas.”[8]
Em mais de uma ocasião, trata explicitamente da natureza da teologia. Discute as fontes da teologia, as características dela, a ecclesia docens e a ecclesia discens; seus objetivos, o espírito da teologia, fé e razão, a autoridade da Igreja, a fim de precisar o máximo possível os termos, evitando ambiguidades. Para São Gregório, ser teólogo é ser “Arauto de Deus”.

3.1.  Doutrina Trinitária

Em praticamente todos os seus discursos trata sobre a Santíssima Trindade.
Dentro do discurso Sobre o Santo Batismo, apresenta um detalhado resumo de seus ensinamentos trinitários:
“Dou-lhe esta profissão de fé para que te sirva de companheira e protetora durante toda a vida: uma só divindade e um só poder, que se encontram conjuntamente nos Três e compreende aos Três separadamente; não é distinta em substância ou natureza, nem aumente ou diminui por adições ou subtrações; é igual baixo todos os conceitos, idêntica em tudo: a conjunção infinita de Três infinitos, sendo cada qual Deus se se lhe considera aparte, tanto o Pai como o Filho como o Espírito Santo, conservando a cada qual sua propriedade (ίδιότης proprietas).”[9]
Seu grande mérito foi o de oferecer pela primeira vez uma definição clara das caraterísticas distintivas entre as Pessoas. Além disso, quando São Basílio trata do relacionamento entre as Três Pessoas, só o faz na relação Pai e Filho, ao passo que São Gregório já trata do Espírito Santo.[10]
Ademais, foi São Gregório quem empregou o termo ‘processão’ para tratar da relação entre o Espírito Santo e as Duas outras Pessoas Divinas. Assim explica ele: “O Espírito Santo é Espírito de verdade, que procede do Pai, mas não à maneira de filiação, porque não procede por geração, senão por processão.[11]

3.2.  Espírito Santo

Em 372, São Gregório, em um sermão público, afirmou que o Espírito Santo é Deus. Ele não titubeou – como fez São Basílio – em expressar clara e explicitamente a divindade do Espírito Santo em público. Muito bela é esta sua afirmação:
“Até quando vamos ocultar a lâmpada debaixo do alqueire e privar os demais do pleno conhecimento da divindade do Espírito Santo? A lâmpada deveria ser colocada sobre o candelabro para que ilumine todas as igrejas e todas as almas do mundo inteiro, não mais com metáforas, senão com uma declaração (Orat. 12,6).”[12]

3.3.  Cristologia

Tão profunda quanto sua doutrina sobre a Trinidade e o Espírito Santo, é sua cristologia, que mereceu à aprovação dos concílios de Éfeso (431) e de Calcedônia (451). Suas famosas cartas a Cledônio servirão à Igreja de excelente guia nos debates do século seguinte. Ele defende a doutrina essencial da humanidade completa de Cristo, incluída uma alma humana, contra as ensinamentos de Apolinário, o qual afirmava haver na humanidade de Nosso Senhor um corpo e uma alma animal onde a divindade se fazia de alma humana superior. Afirma claramente haver em Nosso Senhor as duas naturezas, humana e divina.
Entretanto, não chegou a explicitar claramente a existência de uma única Hipóstasis em Nosso Senhor, o que será afirmado no século seguinte.

3.4.  Mariologia

Já muito tempo antes do Concilio de Eféso (431), graças a São Gregório, o termo theotokos transformou-se em pedra fundamental da ortodoxia. Em um trecho de suas obras demonstra o dogma da maternidade divina de Maria que é o eixo da doutrina da Igreja acerca de Cristo e da salvação. Chega a afirmar que quem não aceita a maternidade divina de Nossa Senhora é um ateu e está fora da comunhão com a Divindade.[13]

3.5.  Doutrina Eucarística

São Gregório de Nazianzo está firmemente convencido do carácter sacrifical da Eucaristia. Em seu Apologetius de fuga descreve a Eucaristia como “o sacrifício externo, antítipo dos grandes mistérios”.[14]
***
Enfim, não é sem razão que o Papa Bento XVI comenta do Santo em uma audiência geral de 8 de agosto de 2007: “Teólogo ilustre, orador e defensor da fé cristã no século IV, foi célebre pela sua eloquência, e teve também, como poeta, uma alma requintada e sensível”.[15]

 São Gregório Nazianzeno
 São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno





São Basílio Magno



São Basílio Magno, o maior defensor da divindade do Espírito Santo


1. Vida
São Basílio é o único dos Padres capadócios distinguido com o sobrenome de Grande. O título é justificado por suas extraordinárias qualidades como estadista e organizador eclesiástico, como expoente egrégio da doutrina católica e como um segundo Atanásio na defesa da ortodoxia. Além de ser considerado como o Pai do monaquismo oriental e reformador da liturgia.[1]
 São Basílio nasceu cerca de 330, de pais nobres, ricos e piedosos, em Cesareia da Capadócia. A quantidade de santos existentes em sua família é impressionante: seu pai e sua mãe são santos; seu avô foi mártir, sua avó é Santa Macrina a Anciã; seus bisavós eram São Basílio o Ancião, e Santa Emélia; além de três irmãos: Santa Macrina a Jovem, São Pedro, Bispo de Sebaste, e São Gregório, Bispo de Nissa, do qual trataremos mais adiante.[2]
Realizou seus primeiros estudos em Cesareia, com seu pai, seguindo depois para Constantinopla e Atenas, onde encontra São Gregório Nazianzeno, com o qual se unirá em amizade estreita durante os difíceis combates do tempo. Um de seus companheiros de estudo chamava-se Juliano, ao qual, mais tarde, a História dará o triste epíteto de “Apóstata”.
Quando Basílio voltou a Cesaréia, em 356, recebeu o Batismo e o leitorado. Após isto, decidiu vender os seus bens – uma boa quantidade – a fim de levar uma vida solitária. Pouco durou sua solidão, pois um grande número de pessoas se lhe juntaram, a fim de levarem vida monástica. Daí surgiu a instituição monacal basiliana, para qual, junto com São Gregório Nazianzeno, São Basílio comporá duas regras que, juntamente com a de São Pacômio será a base da vida monástica do oriente, como a de São Bento será para o ocidente.
Para tal institucionalização da vida monacal, empreendeu longas viagens: Síria, Palestina, Mesopotâmia, Egito, visitando cenóbios, mosteiros, a fim de deles colher inspiração.
Sua vida monacal, continuada depois destas viagens, foi interrompida em 364 pelo apelo de Eusébio, bispo de Cesaréia, que o chamou para colaborador e conselheiro. Em 370 sucede a Eusébio, tornando-se o exarca da importante diocese do Ponto.[3]
Nesta função procurou de todos os modos, acabar com o arianismo, que vivia uma época de prestigio, graças ao imperador Valente. Este, tomando conhecimento da posição de São Basílio, procurou de todas as formas amedrontá-lo, mas em vão. Primeiro, enviou o prefeito Modesto para ameaçá-lo. Este, após as firmes e inflexíveis respostas de São Basílio, exclamou com arrogância: “Nunca ninguém me falou desta maneira!” Ao que retrucou Basílio: “É porque ainda não te havias confrontado com um bispo!”
Após este fracasso de Modesto, Valente procurou ser mais violento: dividiu a diocese de São Basílio, aumentando o poder dos arianos. Porém, mais que Valente para o mal, o santo bispo de Cesaréia era infatigável para a causa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Neste tempo, as coisas estavam de tal forma no oriente que pouquíssimos bispos ainda se mantinham unidos a Roma. União com Roma: eis uma das grandes missões de São Basílio. Tentou-a através do grande Santo Atanásio, que o ajudou durante pouco tempo, pois sua missão na terra já se realizara sendo chamado à glória de Cristo cuja divindade defendeu durante toda sua vida. Não desistiu o Santo exarca, enviando homens de confiança a um sem número de lugares. Obteve êxito extraordinário, como se verificou no sínodo de Ilíara do ano 375, onde, na presença de Valentiniano, se juntaram muitos bispos ocidentais e tomaram o partido de São Basílio. A partir de então seu prestígio não fez senão crescer, sendo a ocasião perfeita para combater o apolinarismo, o macedonianismo, e o arianismo – este último, segundo a visão de Eunômio.
Entretanto, Deus, em seus insondáveis desígnios, chamou-o a si em 379, quando ele contava apenas 50 anos.[4]
Os frutos de seus esforços logo se fizeram sentir: poucos meses depois de sua morte, num Sínodo de Antioquia, se chegava a uma concórdia entre a Igreja Oriental e Ocidental.[5]
Ao Magno Capadócio, podem se aplicar suas próprias palavras a respeito de Jó: “Campeão imbatível, que suportou violentos assaltos do demônio, semelhantes ao ímpeto de uma torrente, com ânimo imperturbável e com propósito irremovível; e nas tentações tanto se mostrou superior, quanto maiores e árduas apareciam as lutas que empreendeu com o adversário.”[6]



2. Obras
Suas obras são: Contra Eunomio; Sobre o Espírito Santo; Moralia (Τα ήθικά); duas regras monásticas; Ad adolescentes; Homilias e sermões; In Hexaemeron; Homilias sobre os salmos; Comentários sobre Isaías; Alguns outros sermões e um enorme número de cartas.



3. A teologia de São Basílio

 3.1. Doutrina Trinitária
Para os redatores do Credo de Niceia, entre os quais Santo Atanásio, não havia a distinção entre Ousía e Hypostasis, o que ocasionou muitas controvérsias. São Basílio foi o primeiro a fazer a distinção: em Deus há uma Ousía e três Hypostasis.
“Para ele ousía significa existência ou existência ou identidade substancial de Deus, enquanto que hipóstase quer dizer a existência de uma forma particular, a maneira de ser de cada uma das Pessoas.”[7]
Tudo isto, servirá de base para o Concílio de Calcedônia (451).

3.2 Cristologia
Quanto à cristologia, São Basílio não fez senão reafirmar e esclarecer o que fora definido em Nicéia. Assim afirmou ele: “Não podemos acrescentar nada ao Credo e Nicéia, nem sequer a coisa mais leve, fora a glorificação do Espírito Santo, e isto porque nossos pais mencionaram este tema incidentalmente.” (Ep. 258,2).[8]
A mesma distinção entre Hipóstases e Ousía, usada para a doutrina trinitária, servirá para a cristologia. Refutando aos partidários do Homoiousios, escreve: “Confesa uma só ousía nos dois [Pai e Filho] para não cair no politeísmo.”[9]
Entretanto, uma das mais importantes distinções que fez, foi sobre o conceito de Relação.
Na polêmica contra Eunômio, o qual afirmava que o caráter próprio da divindade é de ser “não gerado”, São Basílio explica que os nomes Pai e Filho, não definem a essência (Ousía), mas sim a ‘relação’ entre Eles. São Basílio emprega o termo ‘relação’ no sentido que Aristóteles dá em suas categorias. Assim, o nome de homem, mineral, animal, dizem respeito à essência do ser. Já Pai, esposo, escravo, dizem respeito à ‘relação’, pois nenhum homem seria pai sem ter filho, esposo sem esposa, ou escravo sem senhor. Desta forma, dizer que o Filho não é gerado, ou não é eterno, vale a dizer que o Pai nem sempre foi Pai, pois se não havia Filho, esta relação de paternidade, em algum momento não existiu. Cair-se-ia num ciclo vicioso…
Com esta explicitação, São Basílio iluminou toda a teologia trinitária e cristológica com um brilho difícil de ser superado, e desferiu o ‘golpe de misericórdia’ no arianismo.

3.3. A Divindade do Espírito Santo
O Concílio de Niceia, convocado para discutir a doutrina de Ario sobre a divindade do Filho, não enfrentara o problema da divindade do Espírito Santo.
São Basílio defendia a divindade do Espírito Santo de maneira firme, mas prudente. Para não criar rivalidades mais crônicas do que as já havidas com os arianos, e assim causar mais divisões na Igreja, ele afirmava a divindade da Terceira Hypóstasis, com argumentos cautelosos. Afirma que se o Batismo, cuja fórmula foi instituída pelo próprio Senhor Jesus, é realizado em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, significa que este último não é alheio à divindade das outras duas Pessoas. Portanto, o Espírito Santo não é criatura.
A partir desta afirmação, acusaram-lhe de dar ao Espírito Santo uma prerrogativa que é exclusiva do Pai:  a de “não gerado”. Isto ocasionou que – alguns afirmam que por primeira vez, antes mesmo de São Gregório Nazianzeno – São Basílio empregasse o termo “procede”, tirado do Evangelho de São João 15, 26, por primeira vez em sentido técnico.
Entretanto, o Espírito Santo não foi declarado explicitamente Deus, pois isto nas Sagradas Escrituras é apenas vislumbrado. Mas a doutrina de São Basílio e dos outros capadócios será a base para o Concílio de Constantinopla, onde a divindade do Espírito Santo será definitivamente expressada.
Digna de menção é esta da passagem de sua obra Sobre o Espírito Santo: “Substância inteligente, de poder infinito, grandeza ilimitada, fora do tempo e dos séculos, em nada ciosa de seus próprios bens. Para ele [Espírito Santo] voltam-se todos os que anseiam pela santificação, para ele se dirigem os anelos dos que vivem segundo a virtude, quantos recebem o refrigério de seu sopro, e são amparados para alcançar o fim adequado a sua natureza. Aperfeiçoa os outros, enquanto Ele mesmo de nada carece. Não é um ser vivo que precise se refazer; ao contrário é provedor de vida. Não aumenta progressivamente, mas logo possui a plenitude; é consistente por si mesmo, está em toda parte. Origem da santificação, luz inteligível, concede por si mesmo certa iluminação a toda faculdade racional, a fim de que descubra a verdade. Inacessível por sua natureza, faz-se, contudo, inteligível, por bondade.”[10]

3.4. Eucaristia
Além de seguir toda a doutrina tradicional da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho, São Basílio menciona o costume da comunhão diária e da reserva do Santíssimo Sacramento já naquela época.

3.5. Confissão
São Basílio parece ter sido o primeiro a instituir a confissão auricular. Aconselhava-a, sobretudo, aos monges em relação a seus superiores, ainda que não fossem sacerdotes. Evidentemente, neste caso não era sacramental, mas disciplinar.
Quanto aos que cometiam pecados graves e se preparavam para receber o Sacramento da Reconciliação, “na Epístola canônica (cf. vol.1 p.419s) menciona quatro graus: o estado ‘dos que choram’, cujo posto estava fora da igreja (προίσκλαυσις); o estado ‘dos escutam’, que estavam presentes para a leitura das Sagradas Escrituras e para o sermão (άκρόασης); o estado ‘dos que se prostram’ que assistiam de joelhos a oração (υπόσταση); por último, o estado ‘dos que estavam de pé’ durante todo o ofício, mas não participavam da comunhão (σύστασις).”[11]
Os três primeiros estados duravam três anos, e o último durava dois. Só após este período o pecador poderia ser readmitido na comunidade e na Eucaristia.
Como conclusão São Basílio nos anima a lutar pela fé nestes tempos laicizados: “Estão prontos os preparativos da guerra contra nós. Os espíritos estão aguçados contra nós, e as línguas caluniadoras lançam suas flechas com maior intensidade do que a empregada ao apedrejar Estêvão aqueles que odiavam os cristãos. Mas, não se escondam! Efetivamente, pretexto para a guerra somos nós, mas na verdade o alvo em mira está mais alto. Contra nós, de fato, se preparam os mecanismos de guerra e as ciladas, e estimulam-se mutuamente ao esforço de dar cada qual o que possui em experiência e coragem. Mas é a fé que é combatida. Meta comum de todos os adversários, inimigos da sã doutrina, é abalar o fundamento da fé em Cristo, arrasando, fazendo desaparecer a Tradição Apostólica.”[12]










Por Rodrigo Fujyama

[1] Cf. QUASTEN. Patrología II. p. 224.
[2] Cf. DROBNER. Manual de Patrologia. p. 276; MONDIN, Battista. Dizionario dei teologi. p. 99.
[3] Cf. ALTANER; STUIBER. Patrologia. p. 293.
[4] Cf. LLORCA; G.ªVILLOSLADA; LABOA. Historia de la Iglesia Católica: Edad Antigua. 7.ed. BAC: Madrid, 2005. p. 462.
[5] Idem.
[6] S. BASÍLIO MAGNO. Homilia sobre Lucas 12, Homilias sobre a origem do homem, Tratado sobre o Espírito Santo. Tradução de Roque Frangiotti e Monjas Beneditinas. 2.ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 25.
[7] Apud QUASTEN. Patrología II. p. 252.
[8] Idem, p. 251.
[9] Idem, p. 254.
[10] SÃO BASÍLIO MAGNO. Op. Cit. p. 115.
[11] QUASTEN. Patrología II. p. 259.
[12] SÃO BASÍLIO MAGNO. Op. Cit. p. 117-118.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

São Dionísio


   

   São Dionísio foi o primeiro bispo de Paris.
   Terá vivido no século III e foi enviado à Gália como missionário.
   Foi decapitado em Paris, por volta do ano 280, juntamente com os seus companheiros Rústico e Eleutério.
   Muito miraculoso, a sua vida é lendária.
   Os seus atributos são a mitra episcopal e as cadeias, e muitas vezes ostenta a sua cabeça decapitada nas mãos.
   Para se não apresentar a imagem chocante de um decapitado segurando a própria cabeça, o santo aparece, por vezes, com duas cabeças idênticas, uma em cima do pescoço, com toda a normalidade, e outra na mão.
   Muitas vezes a segunda cabeça pousa sobre um livro.
   Acompanham-no dois anjos.

São Cosme e Damião



     Cosme e Damião foram dois santos de origem árabe que viveram no Império Romano, durante a perseguição do imperador Diocleciano contra os cristãos.
     Originários da Arábia, Cosme e Damião estudaram medicina na Síria, e depois foram praticá-la na Egéia. Eles diziam: "Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder".
     Exerciam a medicina na Síria, na Egéia e na Ásia Menor (regiões que correspondem aos atuais países Síria e Turquia). Exerciam suas atividades medicinais sem receberem qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de "anargiros", palavra cujo significado era "inimigos do dinheiro".
     Desta maneira, eles convertiam muitas pessoas para a fé cristã.
     Quando se iniciou a perseguição do imperador Diocleciano contra os cristãos, o prefeito Lísias mandou prender Cosme e Damião, e ordenou que eles renunciassem publicamente sua fé em Cristo.
     Ante a recusa dos dois, os perseguidores tentaram matá-los, mas os dois foram miraculosamente salvos por várias vezes.
     Na primeira tentativa de matá-los, foram afogados, mas foram salvos por anjos.
     Na segunda, foram queimados, mas o fogo não lhes causou dano algum.
     Tentaram pregá-los na cruz, mas os pregos não atravessavam suas carnes.
     Os dois morreram a partir do momento em que eles próprios permitiram que os decapitassem.
     O martírio dos santos Cosme e Damião aconteceu no dia 27 de setembro, provavelmente no ano 303.

Santa Catarina


   Virgem de Alexandria, de nobre família, teve vida fabulosa.
Convertida por um eremita, decidiu dedicar-se exclusivamente à religião.
Quando o imperador Maximiano quis casar com ela, Santa Catarina repeliu-o dizendo que era noiva de Cristo, pois havia feito com Ele um casamento místico.
   Foi martirizada no ano 303 por ordem de Maximiano, o imperador repudiado.
   Ela foi também martirizada com vários suplícios, entre eles o da roda, e foi decapitada.
   É representada como princesa coroada, espezinhando o imperador Maximiano, seu perseguidor.
   Como atributos, tem um livro, uma roda partida (alusão ao suplício que falhou), o anel do casamento místico e a espada da decapitação.
   Também é representada sendo levada para o Céu por anjos.

São Castulo


     
     São Castulo foi um mártir do final do século III / início do século IV. Preso quando pregava o Cristianismo, foi levado ao imperador Diocleciano, que exercia forte perseguição contra os cristãos.
     Diocleciano o fez supliciar e enterrar vivo na areia.
     Aparece vestido de legionário romano com  uma espada ou o atributo referente ao seu suplício, a pá.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Bem-Aventurada Maria Ana Blondin

Maria Ana Blondin (Bem-Aventurada)



Maria Ester Soureau-Blondin nasceu na cidade de Terrebonne, na província de Quebeque, no Canadá, no dia 18 de abril de 1809, de uma família profundamente cristã. Primogênita de doze filho, herdou da sua mãe, uma simples dona de casa, a piedade centrada na Providência e na Eucaristia, e do seu pai, um pobre agricultor, a fé sólida e uma grande paciência no sofrimento. Ela recebeu de seus pais a formação e os ensinamentos rudimentares, posto que todos eram vítimas do analfabetismo reinante no século dezenove no Canadá, então dominado pelos ingleses protestantes. De fato à época havia uma escassez imensa de escolas francesas católicas. Aos vinte anos de idade, foi contratada como empregada ao serviço das religiosas da Congregação de Nossa Senhora, que acabavam de chegar à sua cidade. Um ano mais tarde, inscreveu-se como interna desejosa de aprender a ler e a escrever. Depois, entrou no noviciado da mesma Congregação, mas teve de sair devido à sua saúde, que era extremamente frágil .Em 1833, tornou-se professora na cidade de Vaudreuil, colaborando com a diminuição do analfabetismo e divulgando a aprendizagem do catolicismo romano. Depois de cinco anos tornou-se diretora daquela escola enquanto amadurecia a idéia de fundar uma congregação religiosa para alfabetização e evangelização infantil. Em 1848, apresentou ao seu bispo, Dom Inácio Bourget, o projeto que para a sua época era inovador, pareceu até mesmo "temerário e subversivo" em relação à ordem estabelecida. Contudo, o Estado favorecia este tipo de escolas, por isto o bispo deu a sua autorização. Maria Ester Soureau-Blondin, tomando o nome de Maria Ana, junto com um grupo de religiosas, pronunciou os votos diante daquele bispo, em 1850. Assim deu início à Congregação das Irmãs de Santa Ana, fundada em Vaudreuil.


Madre Maria Ana era a superiora da casa-mãe da Congregação quando em 1853, foi transferida para a comunidade de Saint-Jacques de l'Achigan, a pedido do mesmo bispo. Alí o novo capelão, padre Luis Adolfo Marechal, decidiu interferir na vida interna da Congregação, tanto nos aspectos material como espiritual. O conflito entre o capelão e a superiora durou cerca de um ano, até que o bispo decretou como solução a "renúncia" da madre Maria Ana, em 1854. Depois, convocou novas eleições exigindo que ela não aceitasse o cargo, mesmo se fosse reeleita. Obedeceu humildemente ao seu bispo, que para ela representava o instrumento da vontade de Deus.
Foi afastada como superiora de um pequeno Convento em Santa Genoveva mas, com o pretexto de má administração, foi chamada à casa-mãe em 1858. Desde essa destituição durante trinta e dois anos, até à sua morte, mantiveram-na fora da responsabilidade administrativa e deliberativa, tendo sido designada para desempenhar as tarefas mais humildes, numa vida de renúncia total, dando contudo um grande exemplo de humildade e caridade heróica a muitas gerações de noviças. Certa vez, esclareceu à uma noviça admirada ao vê-la desempenhar tarefas tão humildes: "Quanto mais se aprofundar a raiz da árvore, tanto mais possibilidades ela tem de crescer e dar fruto". Despojada até de sua correspondência pessoal com o seu bispo, cedeu a tudo sem resistência, confiando sempre em Deus. Além disso, soube dar aos acontecimentos da sua vida um grandioso sentido evangélico, buscando em tudo unicamente a glória de Deus.
As autoridades que lhe sucederam proibiram que ela fosse chamada de madre. Aceitou o abandono pela vida da sua Congregação que viu receber a aprovação canônica em 1884. Entretanto, sem se apegar ao seu título de fundadora, não abdicou da sua vocação de "mãe espiritual". Viveu a perseguição, perdoando a todos. Este perdão evangélico era para ela a garantia da "paz na alma", o "bem mais precioso", do qual deu o último testemunho no seu leito de morte, perdoando ao capelão, padre Marechal.
Morreu, aos oitenta e um anos de idade, vítima de complicação pulmonar no dia 02 de janeiro de 1890, na Casa de Lachine, Canadá. Nesta ocasião a Congregação contava com 428 religiosas dedicadas ao ensino fundamental das crianças e à cura dos doentes das 43 Casas existentes em Quebeque, Colômbia Canadense, Estados Unidos e Alasca.
No ano 2001 em Roma, o Papa João Paulo II proclamou Beata, madre Maria Ana Blondin.




São Fulgêncio de Ruspe

São Fulgêncio de Ruspe
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: São Fulgêncio redireciona para este artigo. Para o santo de mesmo nome, veja Fulgêncio de Cartagena. Para outros significados, veja Fulgêncio.
São Fulgêncio





Nascimento
468 em Ruspe
Morte
1 de janeiro de 533 (65 anos)
Fulgêncio de Ruspe (português brasileiro) ou Fulgéncio de Ruspe (português europeu) (em latim: Fulgentius Ruspensis) foi um santo católico, bispo de Ruspe, da localidade da actual Tunísia. Nasceu em 468 e morreu em 1 de janeiro de 533.[1] Teólogo e polemista, discípulo e fiel seguidor da doutrina de Santo Agostinho, tornou-se famoso pela sua crítica do arianismo e do semipelagianismo. Foi o último dos grandes teólogos da Igreja africana e um expoente da influência exercida por esta no Ocidente.
Ver também
Referências
  1.  
  1. St. Fulgentius The Catholic Encyclopedia. Visitado em 9 de dezembro de 2010.

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